Festival inédito da USP articula música e educação

Fevereiro 06, 2026

O Festival Ecano de Música da USP (Femusp) – o primeiro evento universitário dedicado à música clássica de São Paulo – vai acontecer entre os dias 9 e 13 deste mês. Num encontro entre professores, estudantes e muita música, o festival vai promover concertos, oficinas, masterclasses e debates em diferentes espaços da capital paulista. A inscrição para as oficinas e masterclasses já foi encerrada, mas os concertos e debates são gratuitos e abertos ao público em geral. A programação completa está disponível no site do Femusp.

O Femusp é uma iniciativa de professores do Departamento de Música (CMU) da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, com apoio de instituições como a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp). Um dos objetivos do evento é projetar a produção musical da USP para a comunidade externa. Ele integra as comemorações pelos 60 anos da ECA, que serão completados em junho.

A inscrição para as aulas e oficinas contemplou estudantes de fora da USP — inclusive de outros países. “Tivemos 792 inscritos. Deles, 88% são do Estado de São Paulo, mas recebemos inscrições do Brasil inteiro e também de alguns países da América Latina, como o Peru e a Colômbia”, diz o professor Flávio Gabriel, coordenador geral do evento e docente da ECA, onde leciona Trompete. Dos quase 800 inscritos, 490 foram selecionados e 400 confirmaram presença no festival.

Estão envolvidos no evento mais de 40 docentes e músicos. Entre eles estão professores do CMU, do Departamento de Música da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, da Orquestra Sinfônica da USP (Osusp) e da Orquestra de Câmara (Ocam) da ECA. Além disso, três professores da Universidade de Ohio, nos Estados Unidos, que fazem parte do intercâmbio daquela universidade com o CMU, se interessaram pelo projeto e vão participar do encontro.

O eixo temático do Femusp é Música em Trajetória: a Pedagogia da Performance nos Diferentes Estágios de Aprendizagem. O professor Flávio Gabriel explica que há três estágios de formação em música. O inicial normalmente acontece em projetos sociais que atendem crianças e pré-adolescentes, enquanto o segundo ocorre nos conservatórios e o terceiro se dá nas universidades. “A ideia da ‘música em trajetória’ é abrir um diálogo para tentarmos oferecer aos alunos um caminho informativo um pouco mais organizado”, destaca Gabriel. “É uma tentativa de trabalhar o ensino musical e o processo formativo.” Por isso, o festival foi dividido em três eixos: Atividades Formativas, Diálogos Musicais e Concertos.

A ideia é que o evento seja um festival da USP, não só do Departamento de Música da ECA. As aulas serão ministradas, também, em salas de outros departamentos da ECA e na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM), também da USP, além dos concertos e debates que ocorrerão no Centro Cultural Camargo Guarnieri da Universidade. A identidade visual e o logo do festival ficaram sob responsabilidade de alunos de Publicidade e Propaganda da ECA, numa parceria com professores desse curso.

A intenção é que o festival aproxime a Universidade de outros espaços e instituições da cidade que trabalham com música. Por isso, a Sala São Paulo, na região central da capital, e o Instituto Tomie Ohtake, na zona oeste, também receberão eventos ligados ao Femusp. “No festival, a Universidade conversa com a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, a Osesp, por exemplo, que representa o mais alto nível de performance musical.” Os próprios docentes integrantes do Femusp vão se apresentar nos concertos, sob curadoria artística do professor Fábio Cury, do CMU. O repertório das apresentações é composto de sugestões dos participantes, baseado nas obras que gostariam de interpretar.

Programação inclui concertos e debates
A primeira atividade do Festival Ecano de Música da USP aberta ao público em geral acontece no próximo dia 9, segunda-feira, às 17 horas, no auditório do Centro Cultural Camargo Guarnieri, na Cidade Universitária. Trata-se do primeiro dos quatro eventos da série Diálogo Musical previstos na programação, intitulado Poíesis Crítica: Uma Nova Epistemologia para a Pesquisa em Artes. Na ocasião, professores do Departamento de Música da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto vão apresentar o que denominam “poíesis crítica”, uma proposta voltada à pesquisa em artes e em música, que investiga os modos de produção de conhecimento a partir do fazer artístico.

Em seguida, às 19 horas, no mesmo auditório, acontece o Concerto de Abertura, em que serão apresentadas obras do argentino Astor Piazolla, do teuto-brasileiro Ernst Mahle e da estadunidense Caroline Shaw, entre outros compositores. O concerto será executado por dez músicos – entre eles, o professor Alexandre Ficarelli, da ECA, a professora Erin Torres, da Universidade de Ohio, e Vana Bock, da Orquestra Sinfônica da USP.

Na terça-feira, dia 10, às 19 horas, no Instituto Tomie Ohtake, em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, o Grupo de Cordas da Orquestra de Câmara (Ocam) da ECA, sob regência de Claudia Feres, executará um programa dedicado ao repertório para cordas e harpa, incluindo obras de Aaron Copland, Claude Debussy e Benjamin Britten. O concerto contará com a harpista russa Liúba Klevtsova, da Osesp. Às 19h30, na Sala São Paulo, na região central da cidade, acontece o segundo Diálogo Musical, sob o título Universidade, Orquestra e Políticas Culturais, com a participação da professora Clotilde Perez, da ECA, e do diretor executivo da Fundação Osesp, Marcelo Lopes. Partindo das comemorações pelos 60 anos da ECA – completados neste ano –, eles vão refletir sobre “o papel da universidade e da orquestra como instituições públicas dedicadas à formação musical, à produção artística e à relação com a sociedade”, de acordo com o site do Femusp. Também na Sala São Paulo, às 20h30, intérpretes ligados à USP farão concerto em que apresentarão obras de Cláudio Santoro, Mário Ficarelli e Mozart, entre outros.

Na quarta-feira, dia 11, às 13 horas, no Centro Cultural Camargo Guarnieri, a Ocam fará um concerto em comemoração ao centenário do compositor e professor da USP Olivier Toni. Sob regência de Ricardo Bologna, ela vai apresentar músicas contemporâneas de compositores como Jennifer Higdon, Katsutoshi Nagazawa e Rentaro Kai. Às 19 horas, no Instituto Tomie Ohtake, o Grupo de Sopros e Percussão da Ocam, sob regência de André Bachur, fará a estreia mundial de uma obra do compositor brasileiro Carlos dos Santos, feita por encomenda da Ocam. O programa inclui peça de Arvo Pärt e ainda Seis Canções, de Jéssica Gaspar, que também atua como solista. Às 19h30, na Sala São Paulo, no terceiro Diálogo Musical, a professora e produtora cultural Claudia Toni falará sobre As Políticas Públicas para a Música no Brasil e o Papel das Instituições. E, às 20h30, também na Sala São Paulo, acontece mais um concerto com intérpretes ligados à USP, desta vez apresentando “um percurso pela música de câmara dos séculos 20 e 21, articulando repertório internacional e brasileiro”, como informa o site do Femusp.

Na quinta-feira, dia 12, às 19 horas, no Instituto Tomie Ohtake, a Ocam faz mais um concerto em homenagem ao centenário de Olivier Toni, também como músicas contemporâneas. Às 19h30, na Sala São Paulo, o quarto e último Diálogo Musical vai abordar a Formação Musical Especializada e Profissionalização. O evento reunirá o professor Alexandre Ficarelli e o diretor artístico-pedagógico da Santa Marcelina Cultura, organização social responsável pela Escola de Música do Estado de São Paulo (Emesp) Tom Jobim, pelo Theatro São Pedro e pelo Projeto Guri. Eles vão falar sobre “as possibilidades de formação musical especializada, dos critérios de excelência aos desafios do mercado musical contemporâneo”. O evento será seguido, às 20h30, também na Sala São Paulo, de mais um concerto de músicos ligados à USP, que será dedicado “à criação contemporânea e à diversidade de linguagens da música de câmara atual” e apresentará estreias recentes e obras de compositores brasileiros e internacionais, ainda de acordo com o site.

A sexta-feira, dia 13, marca o fim da primeira edição do Festival Ecano de Música da USP. O Concerto de Encerramento está marcado para as 12h30, no Centro Cultural Camargo Guarnieri. Ele será executado pela Orquestra Sinfônica da USP, sob regência de William Coelho. O programa inclui cinco obras, entre elas Folgança, Suíte para Orquestra, de Kilza Setti, e Sinfonietta nº1, de Heitor Villa-Lobos.

O Festival Ecano de Música da USP (Femusp) acontece entre os dias 9 e 13 deste mês, com concertos gratuitos no Centro Cultural Camargo Guarnieri (Rua do Anfiteatro, 109, na Cidade Universitária, em São Paulo), no Instituto Tomie Ohtake (Rua Coropé, 88, Pinheiros, zona oeste de São Paulo) e na Sala São Paulo (Praça Júlio Prestes, 16, Campos Elíseos, região central de São Paulo). A programação completa e mais informações sobre o Femusp estão disponíveis no site do evento.

Fonte: https://jornal.usp.br/cultura/festival-inedito-da-usp-articula-musica-e-educacao/

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