Casa de Cultura do Parque mergulha no acervo Pinho de Almeida com três novas mostras

Novembro 25, 2025

A Casa de Cultura do Parque apresenta, de 29 de novembro de 2025 a 22 de fevereiro de 2026, seu III Ciclo Expositivo. A programação gratuita inclui as exposições "Som e Fúria" (Galeria), "Balada para um espectro" (Gabinete) e "Corpo-a-corpo" (Projeto 280X1020). O ciclo é constituído a partir da coleção particular de Regina Pinho de Almeida, fundadora e diretora executiva da Casa, e se orienta pela pluralidade de linguagens e suportes presentes no acervo, propondo uma ruptura de estruturas literárias, temporais e sonoras convencionais. Na ocasião da abertura, a Casa também hasteia novas bandeiras na fachada, com a exposição "Para-luz", de Aline Ricci, como parte do projeto Dando Bandeira.

Os curadores Claudio Cretti e Tetê Lian destacam a relevância da coleção, composta de mais de 500 obras, que conta com trabalhos sonoros, objetos-caixas, esculturas motorizadas, publicações experimentais e livros de artista, que exigem outro tempo de atenção no espaço expositivo.

"Tornou-se evidente que construir exposições a partir deste acervo possibilita uma maior liberdade de experimentação nos métodos de exibição e curadoria. Diferente dos procedimentos curatoriais usualmente empregados na Casa de Cultura do Parque, foram selecionados trabalhos que muitas vezes escapam da visibilidade imediata e que desafiam classificações rígidas — o que também se apresentou como desafio interessante, já que algumas obras se encaixam em mais de uma exposição", afirmam os curadores.


Crédito: Raphaela Campano

Esta não é a primeira vez que a curadoria da Casa de Cultura do Parque se debruça sobre o acervo de sua fundadora. Em 2019, a Casa foi aberta ao público pela primeira vez com uma mostra inaugural que trazia um recorte da coleção Pinho de Almeida. Com curadoria de Tadeu Chiarelli, a exposição "Tensão Relações Cordiais" observou a coleção como um texto em processo, constituído pelo gosto da colecionadora. Gosto moldado pelas circunstâncias que emolduram esse olhar, envolvendo o campo de afinidades pessoais, seu apoio a projetos independentes e a trajetórias artísticas diversas.

A mostra "Som e Fúria" (Galeria), com texto de Tetê Lian, utiliza recursos como automação, som e movimento para discutir uma fúria relativa às experiências humanas. O título é emprestado de um dos mais importantes romances de William Faulkner (1897-1962), publicado em 1929 e marcado pelo emprego do fluxo de consciência e da narrativa não-linear. A expressão deriva também de uma fala de Macbeth (1623), na peça homônima de William Shakespeare (1565-1616), que descreve uma situação de grande tumulto, barulho e raiva sem sentido ou propósito útil.

Entre os artistas estão André Komatsu (São Paulo, 1978), Chelpa Ferro, Emmanuel Nassar (Capanema, 1949), Nuno Ramos (São Paulo, 1960) e Mariana Manhães (Niterói, 1977). Destaca-se uma obra da série Ato de... (2013), de André Komatsu, que utiliza itens de segurança de obras emolduradas para fundamentar a imagem e o sistema de fixação na parede, e o trabalho do paulista Nuno Ramos, que sublima a dimensão física de processos semânticos, lidando com a sobreposição de materiais.

Já o Gabinete é ocupado por caixas e livros na exposição "Balada para um espectro", com texto crítico de Ella Pacheco. A mostra dialoga com o conceito de coleção, exibindo obras que extrapolam o estatuto do plano bidimensional. A seleção inclui artistas como Augusto de Campos (São Paulo, 1931), Cildo Meireles (Rio de Janeiro, 1948), Julio Plaza (1938–2003), Edith Derdyk (São Paulo, 1955), Marcel Duchamp (1887–1968) e Milton Marques (Brasília, 1971).

O múltiplo histórico Boîte-en-Valise, 1935-41 (fac-símile), de Marcel Duchamp, compõe a coleção e reúne 68 trabalhos do pintor e escultor francês em um objeto desdobrável, que revela a reprodução em escala de esculturas e pinturas anteriores, na qual constituiu o conceito do ready-made. Cildo Meireles completa a seleção com Camelô (1998), uma lembrança de infância das viagens com sua família ao Rio de Janeiro. Observando camelôs no centro da cidade que comercializam objetos aparentemente insignificantes, como alfinetes e barbatanas, o artista reflete sobre as dinâmicas de sobrevivência dessas pessoas e sobre a extensa cadeia de trabalho envolvida na produção dos itens.

O Projeto 280x1020 recebe a mostra "Corpo-a-corpo", explorando a presença do corpo na produção contemporânea, onde suas vivências são atravessadas por contextos socioculturais. Com texto crítico de Giovanna Bragaglia, a exposição reúne trabalhos de Acelino Sales - MAHKU (Rio Jordão, 1975), Alex Cerveny (São Paulo, 1963), Bárbara Wagner (Brasília, 1980), Hudinilson Jr. (1957–2013), Regina Parra (São Paulo, 1984), entre outros.

A série fotográfica Brasília Teimosa (2008), de Wagner, por exemplo, apresenta o resultado de uma documentação, levada pela artista ao cabo de dois anos, da periferia do Recife, onde moradores se reuniam aos domingos com amigos e familiares para tomar banho, comer, beber e aproveitar o dia à beira-mar. A obra capta gestos de celebração e prazer como forma de afirmação da coletividade, além de investigar as dinâmicas sociais de uma comunidade constantemente marginalizada.

Por fim, novas bandeiras ocupam a fachada da Casa como parte do projeto Dando Bandeira. Alice Ricci (São Paulo, 1985) exibe obras que aprofundam sua pesquisa sobre o uso de tecidos refletivos e lonas nas cores amarela e laranja fluorescente, materiais comuns em uniformes de sinalização de segurança. Em Para-luz (2024), cada bandeira apresenta composições geométricas recortadas no próprio tecido, remetendo a uma paisagem suspensa. Os materiais transformam a percepção visual por meio da cor, integrando a paisagem representada ao espaço físico da obra.

As mostras contam com direção artística de Claudio Cretti e são uma idealização do Instituto de Cultura Contemporânea (ICCo). A abertura conta com o apoio de Casal Garcia e Interfood.

SOBRE A CASA DE CULTURA DO PARQUE
A Casa de Cultura do Parque, localizada em frente ao Parque Villa-Lobos, no Alto de Pinheiros, em São Paulo, é um espaço plural que busca estimular reflexões sobre a agenda contemporânea, promovendo uma gama de atividades culturais e educativas que incluem exposições de arte, shows, palestras, cursos e oficinas. A Casa de Cultura do Parque tem como parceiro institucional o Instituto de Cultura Contemporânea – ICCo, uma OSCIP sem fins lucrativos. As duas iniciativas, de natureza socioeducativa, compartilham a mesma missão de ampliar a compreensão e a apreciação da arte e do conhecimento.

SERVIÇO
III Ciclo Expositivo da Casa de Cultura do Parque
Curadoria de Claudio Cretti e Tetê Lian

Som e Fúria [Galeria do Parque]
Balada para um espectro [Gabinete]
Corpo-a-corpo [Projeto 280X1020]
Para-luz, de Alice Ricci [Dando Bandeira]

Abertura: 29 de novembro de 2025, sábado, das 14h às 18h
Período expositivo: 29 de novembro de 2025 a 22 de fevereiro de 2026
Quarta a domingo, das 11h às 18h

Casa de Cultura do Parque

Av. Prof. Fonseca Rodrigues, 1300 - Alto de Pinheiros
São Paulo - SP, 05461-010
Quarta a domingo, das 11h às 18h
11 3811 9264
ccparque.com.br

Toda a programação é gratuita, com classificação indicativa livre, aberta a todos os públicos interessados e está sujeita à lotação do espaço.

Agendamento de grupos
educativo@ccparque.com.br e Whatsapp + 55 11 99520 2759

Fonte: Assessoria de Imprensa - Casa de Cultura do Parque

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