Baby, filme brasileiro premiado em Cannes, ganha sessão gratuita seguida de debate no MIS

Maio 08, 2025

A edição de maio do Ciclo de Cinema e Psicanálise, programa mensal do MIS que debate filmes sob a ótica psicanalítica, exibe o filme brasileiro "Baby", em parceria com a distribuidora Vitrine Filmes. O longa é dirigido por Marcelo Caetano e mergulha no universo da juventude urbana contemporânea, explorando temas como afeto, solidão e identidade com um olhar sensível e intimista. Após a sessão, será realizado um debate com a participação de Alexandro Henrique Paixão e Renan Quinalha, com mediação de Luciana Saddi.

"Baby" foi premiado na Semana da Crítica, mostra paralela ao Festival de Cannes focada na descoberta de novos talentos, conquistando o Prêmio Louis Roederer Foundation de Revelação para o ator Ricardo Teodoro. No Festival do Rio 2024, foi o grande vencedor, levando o prêmio de Melhor Filme.

A trama acompanha Baby (João Pedro Mariano), um jovem de 19 anos que, noite após noite, perambula pelas ruas de São Paulo, vivendo entre festas, encontros casuais e pequenos golpes para sobreviver. Sem laços fixos e sempre à margem, ele leva uma vida de impulsos e desejos, até que um encontro inesperado com um homem mais velho, o garoto de programa Ronaldo (Ricardo Teodoro), desperta nele novas possibilidades e conflitos. À medida que a relação se intensifica, Baby se vê confrontado com suas próprias inseguranças e a difícil busca por pertencimento em um mundo que parece sempre prestes a engoli-lo.

Sobre o Ciclo de Cinema e Psicanálise

O programa mensal do MIS é realizado em parceria com a Folha de S.Paulo e a Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP), e apresenta sempre um bate-papo após o filme, mediado por Luciana Saddi, coordenadora do Programa de Cinema e Psicanálise da Diretoria de Cultura da SBPSP. A temporada de 2025 do Ciclo tem parceria com a O2 Filmes, e a transmissão ao vivo do bate-papo pode ser vista no canal oficial do MIS no YouTube.

Sobre os convidados

Alexandro Henrique Paixão é psicanalista, membro associado da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP), professor livre docente da Faculdade de Educação da Unicamp, mestre e doutor em Sociologia pela USP. Tem pós-doutorado em Teoria e História Literária pela Unicamp. Dentre sua produção bibliográfica, destaca-se o livro "Leitores de tinta e papel" (Ed. Mercado de Letras) e o artigo "Sobre a masculinidade vulnerável em homens sobreviventes: análise de uma obra literária" (Revista Limiar). É bolsista produtividade do CNPq (PQ2) e coordenador do Laboratório de Estudos de Cultura, História, Educação, Sociologia e Psicanálise (LECHESP) da FE-Unicamp.

Renan Quinalha é advogado, professor da Unifesp e ativista dos direitos humanos, com atuação destacada nas áreas de justiça de transição e questões LGBTI+. Foi assessor da Comissão Nacional da Verdade, curador da exposição "Orgulho e Resistências: LGBT na ditadura", no Memorial da Resistência, e pesquisa as interseções entre autoritarismo e sexualidade no Brasil. É autor, entre outros, de "Contra a moral e os bons costumes" e "Movimento LGBTI+: uma breve história do século 19 aos nossos dias", além de coorganizador de "Ditadura e homossexualidades", obra pioneira sobre a repressão a LGBTs durante o regime militar.

Sobre a mediadora

Luciana Saddi é psicanalista e escritora, membro efetivo e docente da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP), mestre em psicologia pela PUC-SP e diretora de cultura e comunidade da SBPSP (2017-2020). É autora de "Educação para a morte" (Ed. Patuá), coautora dos livros "Alcoolismo – série o que fazer?" (Ed. Blucher) e "Maconha: os diversos aspectos, da história ao uso". Além disso, Saddi é fundadora do Grupo Corpo e Cultura e coordenadora do Programa de Cinema e Psicanálise da Diretoria de Cultura e Comunidade da SBPSP em parceria com o MIS e a Folha de S.Paulo.

"Baby" por Luciana Saddi

"Baby", direção de Marcelo Caetano, é comovente e sincero ao falar de abandono e adoção. A trama questiona a família como lugar de proteção e cuidado. Baby também é o apelido que Wellington (João Pedro Mariano) recebe de Ronaldo (Ricardo Teodoro), experiente garoto de programa, que acolhe o jovem, que se encontra perdido, sem família ou parentes, na noite de São Paulo, logo após ser libertado de um centro de detenção juvenil.

Ronaldo procura ensinar as malícias da prostituição para o jovem protegido, que precisa sobreviver num ambiente urbano que é, ao mesmo tempo, hostil e atraente, livre e opressivo, perigoso e gentil. A relação entre ambos é tumultuada, marcada por conflitos antitéticos, como: exploração e proteção, ciúme e cumplicidade, amor e ódio, liberdade e submissão, carinho e violência. Os laços amorosos entre Ronaldo e Baby são instáveis, falham e, rapidamente, se transformam em abuso e descaso, embora haja instantes de amor e cuidado.

A precariedade dos dois personagens, incapazes de estabelecer um vínculo estável, contrasta com a solidez do casal formado pela ex-companheira de Ronaldo, mãe de seu filho adolescente, e a atual companheira. Duas mulheres que vivem de maneira modesta, com um vínculo regular e organizadas para criar o garoto.

O filme permite vários questionamentos: o machismo impossibilita relações duradouras e estáveis? O anseio por liberdade sexual dificulta a manutenção das relações amorosas? Como interpretar a masculinidade e a vulnerabilidade dos personagens? E, por último, o longa também retrata a família consanguínea que abandona e desampara frente àquela que tem base em laços de afeto e afinidades.

Serviço

Ciclo de Cinema e Psicanálise – "Baby"
Data: 13.05, às 19h
Local: Auditório MIS (Museu da Imagem e do Som) – Avenida Europa, 158, Jd. Europa, São Paulo – SP
Ingresso: gratuito (retirada de ingressos com uma hora de antecedência na bilheteria física do MIS)
Classificação: 16 anos

A programação é uma realização do Ministério da Cultura, Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas de São Paulo, e Museu da Imagem e do Som, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, e com o apoio do ProAC. O MIS tem patrocínio institucional da B3, Vivo, Valid, Kapitalo Investimentos, Goldman Sachs, Sabesp e TozziniFreire Advogados e apoio institucional das empresas Unisys, Unipar, Grupo Comolatti, Colégio Albert Sabin, PWC, TCL SEMP, Telium e Kaspersky.

Fonte: Diego Andrade de Santana

Outras notícias

Na noite da Virada Cultural, CCBB SP apresenta clássicos do samba e pagode em show gratuito do grupo PAGÔ SP.
Projeto de Hasani Bantu, Rodrigo Nascimento e Marcelo Nascimento, o grupo PAGÔ traz a pegada percussiva e harmônica do samba raiz, com canções nostálgicas que falam de amor, amizade e vida cotidiana, inspiradas na exposição Atlântico Sertão, em cartaz no CCBB SP.
https://www.sampaonline.com.br/noticias/noite+virada+cultural+ccbb+apresenta+classicos+samba+pagode+show+gratuito+grupo+pago.php

Comédia trágica El Brasil Destituído questiona colonização do país e estreia no CCSP.
Com direção de Fernanda Raquel, espetáculo subverte comédia barroca de Félix Lope de Vega y Carpio, escrita no século 17, para questionar os violentos processos coloniais que constituíram o Brasil.
https://www.sampaonline.com.br/noticias/comedia+tragica+brasil+destituido+questiona+colonizacao+pais+estreia+ccsp.php

12º Round: A História de Emile Griffith homenageia um dos maiores boxeadores da história em nova temporada no TUSP.
Com a dramaturgia de Sérgio Roveri e direção de Bruno Lourenço, espetáculo conta a história desse lutador que enfrentou o preconceito ao assumir sua bissexualidade e evidencia como o racismo e a homofobia sempre estiveram presentes no meio esportivo.
https://www.sampaonline.com.br/noticias/round+historia+emile+griffith+homenageia+dos+maiores+boxeadores+historia+nova+temporada+tusp.php

Novas edições do projeto Sonora Brasiliana do Itaú Cultural apresentam Allan Abbadia e Camila Silva.
Ele toca trombone e executa repertório autoral inspirado na diáspora africana. Ela dedica a sua apresentação a compositoras e instrumentistas de diferentes gerações do chorinho brasileiro. Cada show tem como cenário o Espaço Olavo Setubal, que abriga a exposição permanente Brasiliana Itaú com livros, pinturas, gravuras e documentos que percorrem a história do Brasil.
https://www.sampaonline.com.br/noticias/novas+edicoes+projeto+sonora+brasiliana+itau+cultural+apresentam+allan+abbadia+camila+silva.php

Nesta semana, Mundo do Circo SP recebe Circo Moscou, Mini Circo Vai Vai Criança Feliz, Conforto & Cia e Cia Imediata de Teatro & Chungo Malungo.
A programação é gratuita.
https://www.sampaonline.com.br/noticias/nesta+semana+mundo+circo+recebe+circo+moscou+mini+circo+vai+vai+crianca+feliz+conforto+cia+cia+imediata+teatro+chungo+malungo.php

Itaú Cultural recebe Osmar Prado e Maurício Machado em curta temporada da peça O Veneno do Teatro.
Versão brasileira para a obra do premiado dramaturgo espanhol Rodolf Sirera, já encenada em 62 países, a montagem leva à cena uma história de suspense na qual um excêntrico marquês convida um ator ambicioso e renomado a interpretar uma peça de sua autoria. A trama, no entanto, vira um jogo psicológico de dominação do marquês sobre o ator.
https://www.sampaonline.com.br/noticias/itau+cultural+recebe+osmar+prado+mauricio+machado+curta+temporada+peca+veneno+teatro.php