Julho 24, 2026
Há uma torneira pública na Travessa Roque Adóglio, na Vila Anglo Brasileira, abastecida por uma nascente que continua existindo sob o concreto e asfalto de São Paulo. Em um momento em que o acesso à água, a crise climática e a gestão dos recursos naturais ocupam o centro das discussões sobre a cidade, esse pequeno ponto de abastecimento se transforma em espaço de encontro e mobilização com o evento Torneira: Mobilização pela Água, projeto gratuito do coletivo (se)cura humana. Aos sábados, entre 1º de agosto e 5 de setembro, o local recebe rodas de conversa, ações artísticas, encontros musicais e mutirões que articulam arte, meio ambiente e participação comunitária.
A programação transforma a travessa em um espaço de encontro entre pesquisadores, artistas, ambientalistas, lideranças indígenas, movimentos sociais e moradores, propondo reflexões sobre regeneração urbana, retomada dos rios de São Paulo, direito à água e à cidade, justiça socioambiental, agricultura urbana e regeneração de territórios. O encerramento, em 5 de setembro, marca a reinauguração da torneira da Travessa Roque Adóglio, que receberá melhorias construídas coletivamente ao longo do projeto.
Mais do que um evento, Torneira: Mobilização pela Água nasce de uma prática contínua do coletivo (se)cura humana, fundado em 2015 pelo geógrafo e pesquisador Wellington Tibério e pelo videoartista e performer Flavio Barollo, que há anos desenvolve intervenções urbanas capazes de tornar visível o potencial hídrico da cidade. Além da instalação da torneira pública, dentre outras ações, criaram o Lago da Travessa Roque Adóglio, o happening Parque Aquático Móvel, que leva água limpa de nascentes para banhos coletivos em pleno asfalto, e a instalação Rio Paralelo Tamanduateí, apresentada no Sesc Dom Pedro II durante a mostra Jardinalidades.

A escolha da Travessa Roque Adóglio não é casual. Desde 2017, uma coletividade de artistas e moradores do bairro, vem transformando a realidade daquela viela com ações e instalações artísticas, plantios e eventos comunitários diversos. E além disso, próximo ao local, foi identificada uma nascente que abastece uma torneira pública utilizada diariamente por pessoas em situação de rua e alimenta um pequeno lago com peixes e plantas aquáticas. Sob o seu piso também corre o Córrego Água Preta, um dos muitos rios ocultados pelo processo de urbanização paulistana.
Ampliação dos debates sobre a água
“O Torneira nasce de uma pergunta simples: o que pode acontecer quando uma nascente volta a ser percebida pelas pessoas? A água deixa de ser apenas um recurso e passa a criar vínculos, encontros e novas formas de imaginar a cidade. Nosso trabalho parte de ações concretas, pequenas, mas capazes de provocar transformações. Ao propor encontros em torno de uma nascente urbana, o projeto convida o público a construir uma relação mais próxima e afetiva com a água, e com as questões socioambientais que a envolvem, incluindo as situações de escassez e das enchentes que frequentemente fazem parte da realidade paulistana”, afirma Flavio Barollo.
Para Wellington Tibério, o projeto propõe uma articulação entre conhecimento acadêmico, experiência comunitária e ação cotidiana. “Queremos reunir pessoas e coletivos que já cuidam da cidade de diferentes maneiras para compartilhar experiências e fortalecer redes. A torneira é um ponto de encontro, mas também um gesto político que afirma a água como bem comum e convida a pensar outras formas de ocupar e viver o espaço urbano”, pontua.
Ao longo de seis encontros, a programação reúne convidados de diferentes áreas para debater temas como árvores e regeneração urbana, retomada dos rios de São Paulo, direito à água e à cidade, memória dos territórios, cuidado e justiça socioambiental, hortas urbanas e soberania alimentar. Cada encontro é acompanhado por apresentações artísticas, ações comunitárias e momentos de convivência.
Entre os destaques estão a performance Corpo-Árvore, criação do coletivo (se)cura humana que imagina um futuro em que sobreviventes tentam reconstruir a última árvore do planeta para restaurar os chamados rios voadores, que chegará do Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto (FIT 2026) e o espetáculo Salto no Vazio, de Odacy Oliveira, uma dança realizada com as árvores, em suas copas, trabalho apresentado em importantes festivais nacionais e internacionais, como o Festival Internacional Sesc Circos 2025 e 13º Festival Amazonas de Dança.
Programação:
1º de agosto, sábado.
Encontro 1 | Árvores e Regeneração Urbana
15h – Abertura do evento, chegada e ativação do espaço.
16h – Roda de conversa Árvores como infraestrutura climática, corredor verde, desimpermeabilização, umidade, sombra, plantio urbano e cuidado comunitário do território. Com Daniel Werá (artista visual da Aldeia Pindó Mirim), Claudia Visoni (empreendedora socioambiental, jornalista, ambientalista e agricultora urbana) e Nik Sabey (fundador da iniciativa Novas Árvores por Aí). Mediação de Flavio Barollo (artivista socioambiental, cofundador do coletivo (se)cura humana e mestrando no Diversitas/USP).
18h – Apresentação artística Corpo-Árvore, com o coletivo (se)cura humana.
Sinopse: A última árvore é encontrada despedaçada. Sobreviventes do colapso ambiental tentam fazê-la reviver por meio de aparelhos tecnológicos para que ela cumpra a vital função de umidificar a vida. Será possível recriar os rios voadores? A invenção dessa árvore-máquina conseguirá nos redimir? A performance estreou no Sesc Pompeia em 2023 e passou pelo Sesc Pulsar, no Rio de Janeiro, pela Ocupação 9 de Julho e pelo Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto 2026.
Após as atividades – Chamado para mutirão.
8 de agosto, sábado.
Encontro 2 | Retomada dos Rios de São Paulo.
15h – 99 anos da Vila Anglo. Exposição de obras de Roque Adóglio, com Leandro Gatti.
16h – Roda de conversa Retomada dos rios de São Paulo, rios urbanos, memória territorial, nascentes, Bixiga, Vila Anglo e imaginação política da cidade. Com José Bueno (arquiteto, urbanista social e diretor do Instituto Rios e Ruas, iniciativa dedicada a revelar rios e nascentes ocultos na cidade), Marília Piraju (arquiteta, urbanista cênica e diretora de arte do Teatro Oficina. Atua na construção e defesa do Parque do Rio Bixiga) e Vini de Souza (permacultor, músico e articulador ligado ao Parque da Jóia) Mediação de Wellington Tibério (professor de Geografia, músico, cofundador do coletivo (se)cura humana e doutor em Geografia pela USP).
18h – Apresentação artística Corpo-Árvore, com o coletivo (se)cura humana.
15 de agosto, sábado.
Encontro 3 | Direito à Água, Direito à Cidade.
15h – Aula aberta do Boxe Vila Anglo, para todas as idades.
16h – Roda de conversa Direito à água, direito à cidade, permanência, cuidado com o comum, territórios populares, memória, vulnerabilidade e disputa urbana. Com Mônica Seixas (deputada estadual, jornalista, feminista negra e ecossocialista), Salve Saracura (coletivo autônomo que atua no cuidado das nascentes e do território ancestral do quilombo Saracura, hoje bairro do Bixiga) e Felipe Julián (artista visual e produtor musical com atuação na Travessa desde 2017). Mediação de Flavio Barollo.
18h – Apresentação artística Salto no Vazio, com Odacy Oliveira e Ritamaria.
Sinopse: Com trilha sonora executada ao vivo por Ritamaria, a performance acontece em árvores de espaços abertos. Suspenso por uma longa corda presa à árvore mais alta, Odacy Oliveira dança entre galhos e plantas, convidando o público a restabelecer sua conexão com a natureza, mesmo em meio à paisagem urbana. A ação integrou a programação do Festival Internacional Sesc Circos 2025, Festival de Teatro da Amazônia 2025, 13º Festival Amazonas de Dança e Bienal Sesc de Dança 2023.
22 de agosto, sábado.
Encontro 4 | Água, Terra e Memória na Cidade.
15h – Jogo ativacidade, com A Cidade Precisa de Você.
16h – Roda de conversa Água, terra, memória, cidade, território vivo, vínculos, ancestralidade, rios urbanos e transformação ambiental. Com Jerá Guarani (agricultora e liderança Guarani Mbya da Terra Indígena Tenondé Porã), Laura Kemmer (cientista urbana e titular da Cátedra Martius USP/DAAD) e Janes Jorge (historiador ambiental e professor da Unifesp). Mediação de Wellington Tibério.
18h – Apresentação artística Salto no Vazio, com Odacy Oliveira e Ritamaria.
29 de agosto, sábado.
Encontro 5 | Água, Cuidado e Justiça Ambiental.
15h – Mostra de arpilleras das Mulheres Atingidas por Barragens, do MAB – Movimento dos Atingidos por Barragens.
16h – Roda de conversa Água, cuidado, justiça socioambiental, ecofeminismo, atingidas por barragens, memória, luta, território e reprodução da vida. Com Ivone Gebara (freira católica, filósofa, teóloga feminista e referência em ecofeminismo no Brasil), Fábia Karlin (artista e pesquisadora, integrante do movimento da Travessa desde 2017) e Liciane Andrioli (militante do MAB – Movimento dos Atingidos por Barragens), atua em defesa dos atingidos e atingidas por barragens. Mediação de Anahí Asa (multiartista, educadora, coordenadora do Bloco do Água Preta e gestora da Ori casafloresta na Vila Anglo).
18h – Encontro musical: (se)cura com água, com (se)cura humana e Samba de Preta Velha, com Palomaris.
Ação cênico-musical do coletivo (se)cura humana que transforma água, cidade e colapso ambiental em canto, presença e celebração pública. Canções de Zimbher e Felipe Chacon (direção musical), arranjos de Rodrigo Zanettini, vocais de Flavio Barollo e Luiza Abe. Ainda Felipe Julian, Matheus Caitano, Glauber Bento e Jackie Cunha.
Samba de Preta Velha de Palomaris celebra memória, ancestralidade e continuidade afro-brasileira. O repertório reúne músicas autorais, sambas tradicionais e clássicos, em diálogo com jongo, coco, congado, capoeira, bumba meu boi e ijexá. Uma homenagem às Pretas Velhas, aos orixás mais velhos e às matriarcas do samba.
5 de setembro, sábado.
Encontro 6 | Água, Solo Vivo e Hortas Urbanas
15h – Reinauguração da Torneira. Doação de compostos da composteira do Condô Cultural.
16h – Roda de conversa Água, solo vivo, hortas urbanas, compostagem, soberania alimentar, cuidado cotidiano, agricultura urbana e práticas comunitárias. Com Silvia Adoue (professora da UNESP Araraquara e educadora da Escola Nacional Florestan Fernandes), Gabriela Leirias (curadora, educadora e pesquisadora com Jardinalidades e Poéticas da Terra) e Géssica Arjona (gestora cultural e idealizadora do Condô Cultural). Mediação de Felipe Chacon (trabalhador da cultura, diretor musical e idealizador do Instituto Formigueiro).
18h – Encontro musical (se)cura com água, com (se)cura humana e Banzeiro Derradeiro, com Zimbher.
Encontro musical de Carlos Zimbher em formato intimista de voz e violão, a partir do universo de Banzeiro Derradeiro, terceira parte da trilogia Ópera Urbe. Entre canções, narrativa e presença cênica, a apresentação atravessa temas como preconceito, fanatismo religioso, lutas de classe e as tensões da vida contemporânea.
Serviço:
Torneira: Mobilização pela Água
Com coletivo (se)cura humana.
1º, 8, 15, 22 e 29 de agosto e 5 de setembro, sábados, 15h às 20h.
Travessa Roque Adóglio s/nº – Vila Anglo Brasileira, São Paulo.
Livre | Gratuito.
Ficha técnica:
Idealização – (se)cura humana e Ocupação Travessa. Produção – Corpo Rastreado. Apoio – Condô Cultural e Instituto Formigueiro. Realização – Governo do Estado de São Paulo e Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, em parceria com o mandato do Deputado Estadual Guilherme Cortez.
Fonte: Assessoria de Imprensa - Nossa Senhora da Pauta
OTHOÁ apresenta Barroco Tropical em espetáculo gratuito na Casa Natura Musical.
Com participações de Felipe Cordeiro, Patrícia Bastos, Dante Ozzetti, Manoel Cordeiro e Zé Pitoco, a estreia da big band reúne diferentes territórios musicais brasileiros em um encontro entre conscientização e afeto.
https://www.sampaonline.com.br/noticias/othoa+apresenta+barroco+tropical+espetaculo+gratuito+casa+natura+musical.php
Itaú Cultural apresenta Deserto, peça sobre o legado do escritor chileno Roberto Bolaño.
Dirigido por Luiz Felipe Reis, o espetáculo é a primeira encenação brasileira baseada na obra de Roberto Bolaño, considerado um dos mais importantes autores latino-americanos da virada para o século XXI. Integrando teatro, literatura, música e vídeo, a montagem traz, em primeira pessoa, memórias e reflexões do escritor sobre o papel do artista e da criação poética diante das violências do mundo contemporâneo.
https://www.sampaonline.com.br/noticias/itau+cultural+apresenta+deserto+peca+sobre+legado+escritor+chileno+roberto+bolaño.php
44º Encontro Nacional de Dança reúne grupos de todo o país no Teatro Sérgio Cardoso.
Evento gratuito acontece nos dias 29 e 30 de agosto e promove apresentações, intercâmbio artístico e atividades voltadas à valorização da dança.
https://www.sampaonline.com.br/noticias/44º+encontro+nacional+danca+reune+grupos+todo+pais+teatro+sergio+cardoso.php
Circo Piorô estreia espetáculo A Banda do Circo Piorô com temporada na Zona Leste.
Novo trabalho do coletivo da Zona Leste une música ao vivo, palhaçaria e circo contemporâneo para refletir, com humor e ironia, sobre os desafios de viver da arte.
https://www.sampaonline.com.br/noticias/circo+pioro+estreia+espetaculo+banda+circo+pioro+com+temporada+zona+leste.php
Programação Especial Celebra a Poética de William Shakespeare no Sesc Belenzinho.
A programação é dedicada à obra de William Shakespeare, e promove a interseção entre literatura, artes cênicas e música
https://www.sampaonline.com.br/noticias/programacao+especial+celebra+poetica+william+shakespeare+sesc+belenzinho.php
Ana Leal estreia mostra inédita Chão de Histórias, no Museu da Imagem e do Som (MIS).
Com concepção artística e expográfica da própria artista, acompanhamento de Sylvia Sanchez e texto crítico de Éder Chiodetto, a exposição reúne 21 obras sobre memórias e ancestralidade do sertão pernambucano
https://www.sampaonline.com.br/noticias/ana+leal+chao+historias+museu+imagem+som+mis.php
Coletivo Noroest estreia espetáculo de dança Manifesto de Concreto no Teatro Paulo Eiró.
Espetáculo que une dança, teatro e circo revisita a Greve dos Queixadas, uma das mais importantes mobilizações de trabalhadores do país, para refletir sobre memória, território e as lutas das periferias no presente.
https://www.sampaonline.com.br/noticias/coletivo+noroest+estreia+espetaculo+danca+manifesto+concreto+teatro+paulo+eiro.php
Literatura de cordel ganha Cordelteca em Parelheiros pelo projeto Gira Perifa.
O evento é gratuito e contará com apresentações musicais.
https://www.sampaonline.com.br/noticias/literatura+cordel+ganha+cordelteca+parelheiros+pelo+projeto+gira+perifa.php
Gabriela Winter anuncia novas datas da temporada especial de dez anos de Catadora de Ilusões.
Com direção de Naomi Silman, do LUME Teatro, o espetáculo revela com delicadeza e sensibilidade o universo de uma "recicladora de sonhos" que inventa um reino próprio para continuar existindo.
https://www.sampaonline.com.br/noticias/gabriela+winter+anuncia+novas+datas+temporada+especial+dez+anos+catadora+ilusoes.php
Buena Onda Reggae Club faz show gratuito no Tendal da Lapa celebrando 10 anos de carreira.
Apresentação acontece em 16 de agosto, domingo, e integra circuito de shows comemorativos de uma década da banda que é um dos nomes de destaque da cena instrumental brasileira.
https://www.sampaonline.com.br/noticias/buena+onda+reggae+club+faz+show+gratuito+tendal+lapa+celebrando+anos+carreira.php
Centro de Música Brasileira apresenta recital com obras de 16 compositores diferentes.
O evento é gratuito.
https://www.sampaonline.com.br/noticias/centro+musica+brasileira+apresenta+recital+com+obras+compositores+diferentes.php
O Mundo do Circo SP recebe, nesta semana, temporada do Circo di Mônaco e atrações da Cia Duna e Cia Laclass.
A agenda ainda inclui outros espetáculos gratuitos até 30 de agosto.
https://www.sampaonline.com.br/noticias/mundo+circo+recebe+nesta+semana+temporada+circo+monaco+atracoes+cia+duna+cia+laclass.php
NEFELIBATO, monólogo de Luiz Machado, retorna a São Paulo para curta temporada no Teatro B32 (Espaço Experimental).
Escrita por Regiana Antonini, com direção de Fernando Philbert e supervisão de Amir Haddad, e indicada ao Prêmio Cenym na categoria de melhor ator e pelo Prêmio Aplauso Brasil na categoria especial como Destaque do ano, a peça apresenta um equilibrista que vive entre lucidez e loucura
https://www.sampaonline.com.br/noticias/nefelibato++luiz+machado+sao+paulo+curta+temporada+teatro+b32+espaco+experimental.php