Agosto 25, 2026
A epígrafe, extraída do discurso de Mario de Andrade aos formandos de 1922 do Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, publicado no Correio Paulistano, em 09 de março de 1923, nos encoraja a propor uma sessão em que a obra do poeta paulista dialogue com a do compositor carioca Heitor Villa-Lobos. Nos dias 29 e 30 de agosto, sábado e domingo, no IFAN e no BAFU, o grupo vocal Poucas & Boas apresenta cancioneiro infantil que provoca o encontro entre estes dois grandes nomes da cultura brasileira: Mario de Andrade e Heitor Villa-Lobos.
Se o ethos brasílico, a alma brasileira, se funde no imenso crisol de nossa cultura em ritmos e melodias, nos parece possível entrever na palavra poética o que sempre a engendrou: musicalidade, ritmo, cadência, razão pela qual, desde os antigos, ela se presta a rituais e a solenidades.

Música e poesia se encontram. E Mario de Andrade, que percorreu este país em expedições etnográficas e culturais, no afã de encontrar algo genuinamente brasileiro, registrou a cultura popular, a gastronomia, os festejos, os cantos, o folclore e captou muito bem o quanto ele é feito de muitos brasis.
O mesmo espírito de renovação cultural animou também Villa-Lobos. Ambos se imbuíram do desejo de valorizar a arte brasileira buscando suas raízes autênticas, algo que vinha da miscigenação do indígena, do africano, do popular urbano e rural. É lícito afirmar que Villa-Lobos transformou o folclore em matéria-prima de suas composições.
O maestro carioca preservou a tradição oral e a identidade musical do país. As cantigas de roda brasileiras, o cotidiano, as brincadeiras se tornaram clássicos de nossa cultura. É inegável o legado de Villa-Lobos na educação musical, sobretudo por aproximar o público infantil da música clássica e das tradições brasileiras.
Os dois foram os protagonistas da Semana de 22 e almejarem delinear os caminhos de uma linguagem artística brasileira, impregnada de imagens de Pátria, natureza e ancestralidade. Em que pesem as diferenças ideológicas entre eles, nos legaram uma cartilha insuperável, jamais obsoleta, a de que a arte é mesmo o lugar para dirimir distâncias, desajustes sociais e emoções desequilibradas - como as que corroem nossos dias - sobretudo para salvar nossa "magnífica humanidade." Visando ao cultivo de nosso patrimônio histórico e cultural, a atividade conjuga canções infantis de Villa-Lobos e os poemas de Mario de Andrade.
Dani Mattos é regente, educadora musical, cantora e pesquisadora, formada em educação artística pela Faculdade Santa Marcelina. Organiza rodas de samba e é autora de poemas, esquetes de radionovelas e curiosidades sobre a cidade de São Paulo e a época de ouro da MPB no rádio. Criou o sarau poético-musical "Vinícius, o poeta amador", sobre vida e obra de Vinícius de Moraes e artistas contemporâneos influenciados por ele. Está à frente de três grupos musicais o Poucas e Boas, o Toque de Bambas e o Dani Mattos Quartet. É idealizadora do projeto Villa-Lobos para Todos, que realiza oficinas e residências artísticas em São Paulo até o fim de agosto.
Serviço:
Poucas & Boas sob regência de Dani Mattos
IPHAN
Sábado, 29 de agosto, 10h30
IPHAN - Av. Angélica, n.º 626, Santa Cecília
ENTRADA GRATUITA
BAFU
Domingo, 30 de agosto, às 17h30
BAFU - Rua Barao de Taui, 240, Santa Cecília
ENTRADA GRATUITA
Fonte: Assessoria de Imprensa - Carola González
Circo Marambio promove Mostra na Lona, com 16 atrações divididas em quatro dias de programação na Água Branca.
Primeira edição da Mostra traz noite de variedades, espetáculos de circo, teatro e dança, com algumas sessões gratuitas e outras com entrada de R$ 10,00.
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Tertulia e o Fantástico Circo de Pulgas chega ao SESC Pompeia para celebrar a imaginação.
Com Fernanda Nunes, espetáculo dirigido por Cláudio Saltini transforma uma pulguinha acrobata em estrela de um circo extraordinário.
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Itaú Cultural recebe apresentação única de Camiseta de Amora, sobre a jornada póstuma de uma criança periférica.
Primeiro espetáculo do coletiva AGÔ – Teatro Popular, o espetáculo reúne memórias, ancestralidades, religiosidade e questões relacionadas à violência do Estado e à falta de infraestrutura básica nas periferias.
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