Fundação Japão promove Música no Castelo, série de concertos solos com músicos brasileiros e japoneses

Agosto 14, 2020

Para enaltecer a apresentação de conteúdos sobre a cultura japonesa em tempos de isolamento social, a Fundação Japão promove, a partir do dia 15 de agosto, o projeto Música no Castelo. Trata-se de uma série de dez concertos solos, promovidos por músicos do Brasil e Japão, todos eles gravados em suas próprias casas. As apresentações serão transmitidas nos dias 15 e 20 de cada mês, no canal do Youtube da Fundação Japão.

Junto das apresentações, o público poderá acessar, no site da instituição, um descritivo sobre cada programa, com informações sobre o músico, repertório que será apresentado e instrumentos utilizados, assim como informações detalhadas sobre os instrumentos tradicionais japoneses, permitindo aos apreciadores da programação conhecer um pouco mais sobre a música e a cultura japonesa.

Com a curadoria e coordenação de Shen Ribeiro e apoio de Sinos da Floresta, o projeto Música no Castelo tem tema livre, e propõe aos músicos que façam com que a música reverbere através da web. "Será um resgate, de forma simbólica, do espírito zen da reclusão e da prática da meditação, com trabalhos solos destes músicos em seus próprios castelos, praticando seus instrumentos", explica o curador do projeto, o também músico Shen Ribeiro.

Música no Castelo

Com a quarentena, o isolamento social fez com que as pessoas tivessem que ficar em casa. Sob um ponto de vista simbólico, nossas casas se transformaram em castelos, nossas residências particulares 'fortificadas', deixando o grande inimigo do lado de fora. Nesta nova realidade, nasce o projeto "Música no Castelo", no qual músicos e musicistas, dentro de suas casas, se protegem desse inimigo invisível, perigoso e letal, enquanto se expressam por meio de sua arte, utilizando a web como veículo de comunicação com o mundo exterior.

Os músicos participantes

O tocador e mestre de shakuhachi Jumei Tokumaru foi um discípulo direto do grande mestre da escola Chikumeisha e Tesouro Nacional Goro Yamaguchi. Em sua vivência especial, herdou a maneira de tocar muito próxima de seu mestre. Hoje, é um dos principais mestres e concertistas do estilo "kinko" no Japão. Sua participação trará o melhor do honkyoku, a música original para shakuhachi.

Tamie Kitahara é uma nipo-brasileira radicada em São Paulo, que divulga a escola Seiha de koto. Desenvolve um importante trabalho ensinando koto e shamisen para nikkeis e brasileiros. Neste projeto, mostrará um pouco do universo tradicional de sua linha de ensinamentos.

Gabriel Levy traz uma tradição musical familiar, que iniciou na Casa Levy, uma loja de pianos de sua família, fundada em 1860, em São Paulo, e seguiu com seu tio-avô, Alexandre Levy, grande acordeonista e compositor brasileiro. Tem em sua trajetória, grandes trabalhos com a música japonesa, entre eles arranjos e trilhas utilizando instrumentos tradicionais japoneses.

Chie Hanawa impressiona com sua técnica e postura musical. Esteve no Brasil, em 2015, a convite da Fundação Japão. Em sua participação neste projeto, mostrará que o shamisen, um instrumento tradicional japonês, também pode ser dominado por uma jovem compositora.

Camilo Carrara trouxe ao público brasileiro, em seu cd Canção do Sol Nascente, um pouco do universo da importante transição do período Meiji, no qual a cultura europeia entrou no Japão, transformar a sociedade da época.

Kaoly Asano, uma das musicistas do Grupo Goku, desenvolve um trabalho único de divulgação do taiko fora do Japão. Trazer a linguagem original de sua abordagem para este típico tambor japonês tocando em casa será um grande desafio para Asano neste projeto.

Akiko Sakurai se apresenta com sua biwa nos quatro cantos do Japão e em vários países do mundo, inclusive no Brasil. Foi responsável pela primeira execução na América Latina da peça November Steps, de Toru Takemitsu, no Teatro Municipal de São Paulo. A biwa, originalmente um instrumento de corte, tem hoje mais espaço no cenário mundial graças a ações musicais como estas.

A cidade de Wakayama tem sido referência no controle da atual pandemia do coronavírus no Japão. É de lá que vem Yoko Nishi e, também, onde está sediado seu estúdio, onde leciona koto. Suas aulas também acontecem com regularidade no Brasil, onde atraída pelo clima tropical, vem introduzindo novas técnicas, repertórios e formas de execução para este instrumento.

Andre Mehmari é um dos músicos mais importantes do Brasil, com profundo respeito à cultura japonesa. Entre os diversos shows e master classes por ele realizados no Japão, vale destacar o arranjo da música Canto de Xango, de Baden Powell, executada no encerramento dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro. Ao som de shakuhachi, koto, violão e orquestra, André conseguiu reunir a melodia brasileira ao ambiente do Japão.

Shen Kyomei Ribeiro, discípulo direto do mestre Goro Yamaguchi, tem trabalhado em parceria com a Fundação Japão há muitos anos, sempre com projetos presenciais. Neste projeto, além de inovador, traz a imagem de que podemos viver e fazer coisas boas em nossos espaços, independentemente do confinamento social.

Serviço
Música no Castelo
De 15 de agosto a 20 de dezembro de 2020
Mais informações: www.fjsp.org.br
Canal do Youtube da Fundação Japão: https://www.youtube.com/c/fundacaojapaoemsaopaulo

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