Abril 19, 2026
"Ah, mas e se cair? Do chão não passa!". Essa expressão é uma forma popular de dizer que algo já atingiu o pior nível possível e que, a partir dali, só pode melhorar. Também pode indicar resignação diante de um problema, pois, já que se chegou ao "fundo do poço", o único caminho possível é o retorno à verticalidade, para cima, a ascensão.

Pensando nisso, o diretor e coreógrafo da Cia NoRastro, o pernambucano Henrique Lima, criou um trabalho a partir da sua metodologia de Dança pra Chão que investiga as possibilidades de uma dança em plano baixo. O espetáculo Do Chão Não Passa tem seis novas apresentações gratuitas nos teatros Paulo Eiró nos dias 1º, 2 e 3 de maio; e Arthur Azevedo, nos dias 15, 16 e 17 do mesmo mês.Criada por Henrique em 2016, a Dança pra Chão é uma resposta artística ao limite imposto pelo chão, bem como ao aparente desprezo pelo movimento rasteiro nas danças clássicas, como era por exemplo, a capoeira em sua origem. Sua dança ensina o amortecimento, o uso do chão como caminho e a preservação da estrutura mais preciosa para um bailarino e bailarina, seu corpo.
A Dança pra Chão, transforma a relação entre corpo, gravidade e plano baixo. Inspirada pela capoeira, pelas danças populares, gestos do cotidiano e outras linguagens corporais, a técnica rompe com a verticalidade da dança contemporânea, propondo um movimento que emerge do solo, de onde os corpos encontram meios de ascensão, ao mesmo tempo em que se sentem atraídos pelo chão.
A Cia NoRastro, surgiu com este nome, em julho de 2024, a partir do anseio do diretor Henrique, em materializar um trabalho independente.
Após mais de dez anos de experiência com seu Núcleo Artístico, produzindo e coreografando - solos, duos, trios e coletivos - Henrique Lima, tomou a decisão de manter sua própria companhia de dança, e seguir com uma pesquisa continuada, ainda que não houvesse um financiamento público ou privado.
Em DO CHÃO NÃO PASSA, a Cia NoRastro funde os elementos de anos de pesquisa em Dança pra Chão, aos movimentos tradicionais da dança contemporânea, e gestos cotidianos, numa linguagem que aponta, pelo movimento dançado, a luta interior de cada indivíduo para superar o seu destino, quase sempre inevitável, de vez ou outra, chegar ao chão.
São lutas internas, da nossa humanidade, que podem estar relacionadas ao medo da queda, do fracasso, da decepção e até mesmo da morte. E como resistência há que se insistir nessa luta interior, como saída para se manter certa motivação ou esperança no seu poder pessoal de transformação. Por isso, o espetáculo, também busca evidenciar o peso da resposta coletiva a essa opressão que vem de cima para baixo, e muitas vezes nos obriga a rastejar, e viver com o mínimo.
A partir dos momentos de dança em uníssono, o grupo opta por evidenciar a beleza e força do trabalho em grupo, sem se descolar da importância de manter a individualidade, o 'seu jeito' de dançar. Essa identidade corporal que deixa um rastro no mundo, e que aparece durante os momentos de improviso e solos.
É parte da pesquisa do grupo, a manipulação dos elementos cênicos de iluminação, que interagem com os movimentos dos bailarinos e bailarinas, indicando o ir e vir, entre cair e levantar. Cada luminária, acende e apaga individualmente, trazendo independência e autonomia na criação da cena. Assim como na coreografia, a luz é um elemento extra para indicar as diferenças entre individualidade e coletividade.
A escolha de deixar as luminárias penduradas na altura do colo (peitoral) dos(as) bailarinos(as), direciona o olhar do público o tempo todo para o plano baixo, fortalecendo a sensação de se estar 'preso ao chão'.
Ficha Técnica
Direção: Henrique Lima
Bailarinos Intérpretes: Alisson Lima, Ana Clara Poltronieri, Augusto Trainotti, Bianca Haertel, Luna Fonseca, Maiara Roquetti e Tayná Ibanez
Trilha Sonora: Fernando Martins
Imagens: Daniel Luppo, Janaina Villela e Nathan Sampaio.
Coordenação de ProduÇÃO: Luciana Venâncio
Assistente de Produção: Bianca Haertel
Apoio: Jambu Galpão e Movicena Associação Cultural
Sinopse
Em DO CHÃO NÃO PASSA, o elenco explora a movimentação em plano baixo, através da sensação do peso corporal e da resistência entre cair e a vontade de se impulsionar. A partir de movimentos rasteiros e de 'rastejos', o trabalho evidencia uma pesquisa sobre a ação da gravidade que nos magnetiza na direção do chão.
Serviço
Do Chão Não Passa, com Cia NoRastro
Ingressos Gratuitos
Classificação: Livre
Duração: 45 minutos
Teatro Paulo Eiró - Av. Adolfo Pinheiro, 765 - Santo Amaro, São Paulo
Dias: 1, 2 e 3 de maio (sexta e sábado às 20h e domingo às 19h)
Acessibilidade: espaço acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida
Teatro Arthur Azevedo - Av. Paes de Barros, 955 - Alto da Mooca, São Paulo
Dias: 15, 16 e 17 de maio (sexta e sábado às 20h e domingo às 19h)
Acessibilidade: espaço acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida
Circo Marambio promove Mostra na Lona, com 16 atrações divididas em quatro dias de programação na �gua Branca.
Primeira edição da Mostra traz noite de variedades, espetáculos de circo, teatro e dança, com algumas sessões gratuitas e outras com entrada de R$ 10,00.
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Tertulia e o Fantástico Circo de Pulgas chega ao SESC Pompeia para celebrar a imaginação.
Com Fernanda Nunes, espetáculo dirigido por Cláudio Saltini transforma uma pulguinha acrobata em estrela de um circo extraordinário.
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Itaú Cultural recebe apresentação única de Camiseta de Amora, sobre a jornada póstuma de uma criança periférica.
Primeiro espetáculo do coletiva AGÔ – Teatro Popular, o espetáculo reúne memórias, ancestralidades, religiosidade e questões relacionadas à violência do Estado e à falta de infraestrutura básica nas periferias.
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