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CPC-USP abre Casa de Dona Yayá neste domingo

Janeiro 17, 2018

O Centro de Preservação Cultural da Universidade de São Paulo abre horário especial de visitação à casa de Sebastiana de Mello Freire, conhecida como Dona Yayá, no dia 21 de janeiro. Além disso, mostra a exposição "Sesmaria de Passarinhos", que fica em cartaz até março.

A Casa de Dona Yayá foi transferida em 1969 como herança vacante à Universidade de São Paulo. Passou, ao longo das últimas décadas, por cuidadosos trabalhos de conservação e restauro que abrangeram a recuperação do imóvel, restauração das pinturas parietais em seu interior e dos jardins da chácara que a circundava. Reconhecido como um dos últimos remanescentes do antigo cinturão de chácaras que circundava a região central da cidade, o imóvel assumiu importância histórica ainda maior em razão da reclusão de sua última proprietária, Sebastiana de Mello Freire, Dona Yayá, entre 1919 e 1961.

Com base nessa rica história material e imaterial, a Casa de Dona Yayá foi tombada pelo Estado de São Paulo, em 1998, e pelo Município, em 2002. A trágica vida de Dona Yayá ainda hoje instiga a curiosidade e a imaginação dos que dela ouvem falar, e é parte da história do bairro da Bela Vista. O CPC- USP promove a valorização desse imóvel através de sua abertura ao público, incentivando reflexões a respeito de sua arquitetura, da história do bairro e da personagem Dona Yayá.

Nascida em 21 de janeiro de 1887, de família pertencente à elite paulistana, Sebastiana Melo Freire, a Dona Yayá, recebeu educação esmerada, tendo sido aluna interna do tradicional colégio Nossa Senhora de Sion. Era religiosa, falava francês, tocava piano, pintava, realizava trabalhos manuais e tinha a fotografia como passatempo preferido. Vestia-se com discrição e elegância, tinha hábitos simples, saía pouco - sua vida social restringia-se a um pequeno grupo de amigos. Nunca se casou. Consta que teria recusado propostas de casamento por julgar que os pretendentes estivessem interessados em sua fortuna, mas também se dizia que fora apaixonada secretamente por um rapaz de rica família.

Em 1919, após apresentar recorrentes sinais de desequilíbrio emocional, foi internada em um hospital psiquiátrico, tida como incapaz de administrar a fortuna da qual era a única herdeira. Sua interdição causou comoção na sociedade paulistana, gerando uma série de artigos publicados pelo jornal sensacionalista "O Parafuso". Um ano depois a família seguiu conselhos médicos para que seguisse tratamento em casa, onde receberia melhores cuidados. Foi escolhida, então, a chácara localizada nos arrabaldes da cidade, local tranquilo e afastado do burburinho urbano. Dona Yayá viveu reclusa nessa casa por 40 anos, juntamente com amigos da família e empregados. Passava a maior parte do tempo encerrada em aposentos que foram adaptados para sua segurança segundo critérios médicos. Os cuidadores de Dona Yayá mantinham-na sempre asseada e penteada e preservaram o hábito de comemorar seu aniversário todos os anos com um jantar especial.

A respeito de sua personalidade, diz-se que Dona Yayá era alegre e generosa, apesar de marcada por tristes acontecimentos. Ainda na infância sofreu a perda de duas irmãs, viu-se órfã aos 12 anos de idade e aos 18 foi surpreendida pela notícia da morte do único irmão, que teria se atirado ao mar durante um acesso de insanidade mental - quadro que também ela viria a manifestar. Ora é apresentada como a "louca do Bixiga", ora como uma mulher vitimada pela tirania de familiares e incompreendida pela moral da época em que viveu. Restaurada e tombada como patrimônio cultural, a Casa de Dona Yayá é hoje testemunha dessa história.

Serviço
Visitação Casa de Dona Yayá
Data: 21 de janeiro
Horário: das 10h às 15h
Casa de Dona Yayá
Rua Major Diogo, 353 - Bela Vista – São Paulo
Entrada gratuita