por Rodrigo Veras Flumann
Novembro, 2001
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ANTHRAX / ANTRAZ

Anthrax é uma palavra que vem do grego e significa carvão. No Brasil, mais especificamente no interior, é chamado de carbúnculo e, freqüentemente, dá em rebanhos. A palavra antraz é usada em alguns dicionários para definir a mesma doença e também é a forma aportuguesada de anthrax.

Este pertence ao grupo das armas biológicas, considerado de alta precisão (eficiente) mas de baixa dispersão (espalha lentamente). A célula de reprodução do antraz é o esporo que, em sua forma mais letal, se aloja no pulmão, onde encontra umidade, calor e nutrientes necessários para a reprodução.

Ele é capaz de se formar como parasita, multiplicando-se rapidamente e espalhando toxinas. A pessoa contaminada tem apenas algumas horas para ingerir antibióticos, mas não há certeza de que quem foi vacinado pode resistir a um ataque pulmonar. A pessoa infectada apresenta sintomas como os das gripe no início: febre, tosse, mal-estar e coriza.

Até onde se sabe, são três as formas de contaminação: cutânea (pele), ingerida ou aspirada. Em sua forma mais perigosa, a vítima antes de morrer expele parte dos órgãos internos. O antraz chegou rapidamente, mesmo não sendo rápido para se espalhar, às redações de jornais, ao Congresso dos E.U.A, tendo sido encontrado até mesmo na África e na Argentina.

A principal característica do antraz é o medo que têm causado nas pessoas, pois são necessários 8 mil esporos para que uma pessoa tenha infecção pulmonar. Por causa disso, aviões foram retidos, prédios foram evacuados, policiais estão a postos e várias pessoas já foram medicadas.

Em 1980, o Iraque comprou legalmente dos Estados Unidos bactérias do antraz, onde a bactéria foi criada nos anos 60, e agora o Iraque está na mira dos americanos. Japão, China e Inglaterra já fizeram experiências com a bactéria, que causou um desastre ambiental na ilha escocesa de Gruinard, nos anos 40, controlado apenas na década de 90.

Para se produzir antraz, não requer muita tecnologia, mas é preciso muito cuidado e segurança para manejar o material. Aí sim, faz-se necessária uma alta tecnologia. O antraz é considerado de baixa eficácia para uma guerra, porque não é contagioso, porém o que mais assusta é a sua durabilidade, que pode chegar a oito décadas ou mais, procurando um hospedeiro.

De acordo com os dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), cinco toneladas de antraz atiradas de um avião, teriam o efeito de três bombas atômicas sem causar dano algum a um prédio. Muitos pesquisadores acreditam que o anthrax seja o responsável pela quinta e a sexta pragas do Egito, a peste nos animais e a úlcera, como está escrito na Bíblia.

Quando o antraz é contraído pela pele, um simples banho pode fazer o indivíduo livrar-se do risco de contaminação, mas quando se descobre isso, já é tarde demais para evitar o contágio. Existem vacinas contra o antraz que apenas o governo norte-americano tem, mas são poucas.

O estoque é usado apenas em soldados e policiais, mas essa vacina não funciona com a infecção pulmonar, além do que, como todas as vacinas, pode causar reações como náuseas, vômitos, diarréia, febre e feridas na pele.

Uma grande arma de defesa contra a bastéria é fabricada pela empresa alemã Bayer. O Cipro, uma droga que impede a infecção pulmonar, acaba com a reprodução das bactérias do antraz e bloqueia uma enzima chamada girase e o DNA não se multiplica. A única e maior dificuldade é que a droga deve chegar ao organismo no momento em que estiver começando a reprodução.