por Michelle Nunes Antonio
Novembro, 2001
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Liberdade: uso dos direitos do homem livre. Será?

Todos sabemos e conhecemos muito bem o caso dos atentados terroristas nos Estados Unidos, pois foi um acontecimento que abalou a estrutura do mundo todo e se tornou um fato histórico de conseqüências importantes, inclusive para o Brasil, que ficou em estado de alerta com medo do que poderia acontecer com sua economia.

Hoje presenciamos uma guerra em tempo real, que talvez não seja tão legitima quando George W. Bush alega ser, porém muitas pessoas morrem e morreram por causa dela.

O governo norte-americano preocupa-se tanto com seu poder e sua nação que começa a reprimir o tão importante “modo de vida americano”, que garante a liberdade expressão ou mesmo o direito de ir e vir. Isso choca principalmente num país em que há muito tempo não se ouvia falar de censura.

É isso mesmo que você acabou de ler: censura ,aquela horrorosa palavrinha de sete letras que representou um período de terror e repressão aqui no Brasil e não nos traz nenhuma boa lembrança. Mas não se engane, pois nenhuma pessoa está sendo morta ou sumindo de uma hora para outra a mando do governo nos Estados Unidos. Mas é estranho ver o governo dando avisos para a CNN (maior rede de notícias televisivas do mundo) tomar cuidado com o que se noticia sobre Osama Bin Laden.

Na verdade, a grande preocupação do governo seria a transmissão de alguma mensagem ou código para os terroristas, o que segundo o jornalista Celso Lungaretti “seria uma alegação infantil, porque com o avanço tecnológico dos meios de comunicação isso não seria necessário”. Um fundamentalista ou um terrorista capaz de morrer pela religião não iria transmitir uma mensagem pela televisão, usando a CNN como o seu pombo correio, correndo o risco da mensagem se perder quando poderia usar meios como a Internet.

Em situações de guerra existem mesmo certas restrições quanto aos conteúdos apresentados, pois com eles as pessoas podem entrar em pânico dependendo de sua gravidade ou os inimigos podem até obter informações sigilosas. Celso define esta situação como “uma pressão feita pelo governo sobre os veículos de comunicação, mas que deixa a critério das próprias emissoras de não mostrar cenas muito fortes”.

Além disso, a CNN passa por grandes dificuldades para poder divulgar as matérias e coberturas da guerra, talvez porque a pressão do governo seja forte demais. Isso gera dificuldade na divulgação da informação, principalmente neste caso, pois sendo a CNN que controla a maior parte das informações acabamos no fim sem saber a verdade, que fica manipulada somente por uma fonte. Porém, hoje em dia, essa manipulação se torna muito difícil. “Acabamos sabendo a verdade, de uma forma ou de outra”, comenta Celso.

É totalmente diferente essa auto-censura da imprensa norte-americana, a CNN em especial, da censura brasileira da época do regime militar. No caso brasileiro, a população civil foi privada dos direitos, perdendo do direito de liberdade de expressão e de opinião.

Como comenta Celso, cabe a nós distinguir o que é bom do que é ruim - só assim conseguiremos melhorar o mundo e as pessoas que vivem nele sem precisar passar por cima de um direito que é de todos: ser livre.