por Felipe
Maio, 2002
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Receita para desconcentrar a renda

Um dos problemas que mais persiste na sociedade brasileira é a concentração da riqueza nas mãos de poucas pessoas. Um estudo realizado no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), reafirma essa noção. O trabalho mostra que, de 1992 a 1999, a expectativa de vida, a escolaridade, a mortalidade infantil e todos os outros indicadores sociais do país melhoraram, com exceção da distribuição de renda. Nesse particular, o país ficou um pouco pior. Os 10% mais ricos, que detinham 45,8% da renda nacional, passaram a possuir 47,4%. É um dos piores desempenhos internacionais do Brasil. Nesse quesito perdemos até para os vizinhos mais pobres da América Latina.

A concentração de renda é um mau resistente, daqueles que misturam razões culturais, geográficas, éticas e políticas. Suas raízes são profundas e remontam defeitos do Brasil colonial, como a escravidão, a falta de planejamento e o mau funcionamento de serviços públicos, que deixaram suas marcas na história brasileira. A constatação do novo estudo do IBGE mostra quanto essa distorção é resistente. Ela não se alterou nem com o crescimento da renda dos pobres, pois os ricos se distanciaram ainda mais. Não se alterou com os efeitos distributivos da estabilização e da moeda e o fim da inflação trazido pelo plano real; que reconhecidamente foi um dos processos que mais favoreceram a distribuição de renda do capitalismo.

O crescimento econômico do país nos últimos tempos permitiu que se iniciasse o combate à injustiça social. A melhora geral do país em outros quesitos mostra que a questão da concentração de renda chegou a um ponto que, pela primeira vez na história do Brasil, pode ser atacada com chance de sucesso. Os especialistas mostram que a saída é investir no campo social. Entre outras soluções, exemplos de nações como a Coréia do Sul, o Japão, Inglaterra e a Itália mostram que o investimento maciço em educação é que dá resultados mais eficientes, mas de longo prazo. É preciso cobrar menos impostos e gastar melhor. Os países desenvolvidos na distribuição de renda foram também aqueles que combateram a corrupção, estabilizando os seus gastos e podendo, desta forma, induzir um crescimento mais sadio
e justo na economia.

EducaçãoA educação brasileira tem problemas de conseguir alcançar esse crescimento pela falta de investimento, e o que é destinado para a educação muitas vezes é desviados por pessoas corruptas. Mas o sistema educacional brasileiro apresentou alguns progressos durante esse governo, diminuindo o índice de analfabetos, dando mais atenção aos ensinos médio e superior, e procurando avaliar, através de provas, todos os alunos.
Foto retirada do site www.globo.com/sptv