Meu
filho começou na escola. E agora, como será sua adaptação?
Anna
Beatriz Freitag Ashauer
Diretora da Escola Modulus
www.escolamodulus.com.br
Após
a escolha (nada fácil) da primeira escola para seu filho, finalmente chegou o
primeiro dia de aula. E com ele, mais dúvidas: como será a adaptação do meu
filho? Devo ficar junto na escola até ele se acostumar? Ele vai chorar muito?
Eu vou chorar muito??
Este artigo procurará dar
algumas dicas práticas para o Período de Adaptação, onde estarão
envolvidos os pais, a criança e a Escola. Por incrível que pareça, a adaptação
da mãe é tão ou mais importante que a adaptação da própria criança. Isso
porque, se a mãe não estiver segura de sua decisão, se ela não acreditar que
a escola é a melhor opção para o seu filho naquele momento, que ele vai
gostar e que ela poderá ficar tranqüila, o melhor é que o início da criança
na escola seja postergado, pois a própria mãe irá impedir ou dificultar a
adaptação da criança à Escola.
Adaptação
de bebês de 4 meses a 8 meses:
Nesta idade, a criança se adapta facilmente ao novo ambiente do berçário. A
adaptação mais difícil é a da mãe, que passou os primeiros meses totalmente
dedicada ao seu bebê e, agora, tem que separar dele para voltar ao trabalho.
Muitas vezes, a mãe está se sentindo culpada, sentindo que seu bebê está
sendo abandonado. Se isso está acontecendo com você, lembre-se que a realização
profissional da mulher pode conviver perfeitamente com a sua condição de mãe,
desde que o seu tempo seja bem dosado. Mais importante do que a quantidade de
tempo que você passa com seu filho é a qualidade deste tempo. Ao chegar em
casa, após um dia de trabalho, dedique-se ao seu bebê, conversando com ele,
brincando, dizendo a ele o quanto o ama... Desta forma, apesar de não passarem
o dia juntos, seu filho saberá o quanto é amado e, no futuro, terá muito
orgulho do sucesso profissional de sua mãe. Outro ponto fundamental nesta fase
é a participação ativa do pai, que deverá estar ciente da necessidade da
divisão das responsabilidades (por exemplo, buscar ou levar o bebê quando você
não puder, ficar com o bebê quando você tiver um compromisso
profissional...). Com o ingresso da mulher no mercado de trabalho, as atividades
domésticas devem ser totalmente compartilhadas. Se isso não acontecer, com
certeza você ficará sobrecarregada e terá dificuldades em administrar todas
as suas responsabilidades como profissional e como mãe.
Nesta
fase, é importante que você passe algumas horas no berçário, conhecendo as
berçaristas e auxiliares, transmitindo a elas todas as peculiaridades, gostos,
hábitos alimentares de seu bebê. Outra dica importante é a preparação do
bebê para começar na escola: converse com seu pediatra e introduza os
alimentos como frutas, verduras e legumes ainda em casa (no mínimo 15 dias
antes do início do bebê no Berçário). Se ainda estiver amamentando, procure
dar o peito somente nos horários em que ele estará mamando após sua volta ao
trabalho (desta forma, o bebê não sentirá falta do peito durante o dia).
Após
passar um dia no berçário, você deverá estar tranqüila e confiante nas
pessoas que irão cuidar de seu bebê. Se isso não acontecer, é importante
conversar com a Coordenação Pedagógica da escola. Se alguma coisa a
desagradou ou você está com dúvida sobre algum ponto ou procedimento, esclareça
rapidamente com a berçarista ou com a Direção da Escola. Lembre-se que a
confiança na Escola é fundamental para garantir sua tranqüilidade enquanto
seu bebê está conosco.
Adaptação
de crianças de 8 meses a 1 ano e meio:
Nesta fase, a criança costuma estranhar mais outras pessoas, pois já
identifica claramente quem cuidou dela até aquele momento. Por isso, a adaptação
pode ser um pouco mais demorada. Caso a criança estranhe muito as funcionárias
do Berçário, uma pessoa (a mãe, o pai, a avó, a babá) poderá ficar durante
uma manhã ou tarde com ela dentro do Berçário. O objetivo é que ela se
habitue com o espaço, com o berço, com os brinquedos, com os novos amiguinhos.
A presença da pessoa conhecida, porém, não deve se estender muito, pois, se
isso ocorrer, a criança criará uma “barreira” em aceitar as funcionárias,
e o seu sofrimento (sensação de abandono) será mais intenso. Embora a criança
ainda seja pequena, é importante que você converse com ela e explique que,
embora ela esteja ficando no berçário durante o dia, depois você virá buscá-la
e passarão ótimos momentos juntos. Pode haver choro na entrada, mas você deve
se manter firme, se despedir, e deixar a criança com a berçarista, que irá
acalmá-la. Nunca saia “escondida”: seu bebê se sentirá traído.
Adaptação
de 1 ano e meio a 3 anos:
Nesta idade, a adaptação da criança costuma ser um pouco mais trabalhosa,
principalmente se, desde o nascimento, ela ficou somente uma determinada pessoa
(mãe, avó, babá, etc). Caso a criança chore muito e não queira ficar longe
da pessoa que acompanha a sua adaptação, a pessoa poderá ficar na Escola nos
primeiros dias, sem, entretanto, ficar fisicamente na sala de aula ou de
atividades onde a criança está com o grupo. Quando isso acontece, a adaptação
fica mais complicada e se prolonga por mais tempo, pois a criança passa a
acreditar que pode ter “o melhor dos dois mundos”: ficar na escola e, ao
mesmo tempo, ter a companhia da pessoa a quem está mais apegada. Caso a criança
comece a chorar, a professora levará a criança até o responsável, para que
ela perceba que não foi abandonada. Normalmente a criança primeiro irá se
apegar a uma pessoa da escola. Durante alguns dias, provavelmente ela requisitará
a pessoa a quem se afeiçoou. Com o tempo, ela irá se habituar aos demais
funcionários e ao grupo de amigos.
É
normal também a criança se empolgar no primeiro dia com as novidades, os
amigos, as atividades e começar a chorar após alguns dias (quando percebe que
sua rotina mudou definitivamente).
Adaptação
de 4 anos a 6 anos:
Se seu filho está indo pela primeira vez à escola, provavelmente sua adaptação
será tranqüila. Afinal, nesta idade, além de compreender e lidar melhor com
as mudanças em sua rotina, a criança já deve estar querendo freqüentar a
escola e ter amiguinhos da sua idade para brincar. Muitos chegam até a pedir
aos pais para virem à Escola. Se o
seu filho estiver estranhando a mudança, querendo ficar em casa (onde se sente
seguro), converse com ele e explique a importância de estar na escola, de
aprender coisas novas, de ter novos amigos... Se esta não é a primeira escola
do seu filho, a adaptação costuma ser ainda mais tranqüila, pois a criança já
está acostumada às rotinas da escola. Ele pode, porém, sentir falta dos
amiguinhos da outra escola. Por isso, é importante que você converse bastante
com seu filho, e explique o motivo da mudança de escola. Mostre a ele, também,
que o fato de ter mudado de escola não significa que ele irá perder os antigos
amigos; melhor ainda: ele irá ganhar novos amigos. Nesta idade, a presença da
mãe ou responsável é pouco requisitada no período de adaptação.
Em
qualquer idade, é importante que a mãe esteja tranqüila, segura e confiante,
para que transmita a seu filho estes sentimentos fundamentais para sua adaptação
na nova Escola.
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